ARGENTINA: FANTASIA GAY

Título de capital gay é exagero
Cinco dias e cinco noites em Buenos Aires
Quem deu o título de capital gay da América do Sul a Buenos Aires não conhece a cena gay do Rio de Janeiro, de São Paulo, nem do Recife. A capital argentina tem muito mais cinza e preto no seu cotidiano do que as cores do arco-íris.
Eles querem ser a Europa na América do Sul. E são. Eles são bonitos, elegantes, finos e acrescente: conservadores. Basta andar pelas ruas e sentir tudo isso. Uma Europa na arquitetura, na estrutura, na limpeza, mas no universo gay uma cena sem colorido.
No centro por exemplo, a multidão que caminha parece um desfile de moda e o único colorido são dos olhos verdes e azuis. O resto é cinza, preto e marron dos casacos e botas.
Não existe paquera gay. Não existe conhecer alguém na rua e curtir. Se isso acontecer, o cara não é argentino. Se isso acontecer você quase acertou na loteria.
Quando a noite cai vá dormir. Quando a madrugada chegar aí sim, você acorda e vai ver uma outra Buenos Aires. Os bares gays, esses sim, fervem. As boates gays fervem. Falta só aquele tempero brasileiro neles.
Todas as casas tem muita intensidade, música de qualidade, mas no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Recife tem mais tempero, pegada, paquera. Tem mais calor literalmente.

Como eles querem ser a Europa e especificamente, a Espanha, aprovaram o casamento gay. Eles se espelham nos espanhóis para tudo. Direitos como o casamento gay são mais uma questão de prestígio como nação que quer se igualar a Espanha do que conquista social.
No quesito imagem, Buenos Aires foi bem vendida como destino gay. Não passa de uma ilusão. Se você olhar muito para um cara na rua ou no shopping, a resposta em tom de frieza vai revelar que aquela sociedade não é o paraíso gay que lhe venderam.
Imagine em um shopping não ter paquera gay. Imagine no banheiro de um shopping não ter pegação gay. Imagine numa cafeteria a única coisa que esquenta mesmo é o café ou chocolate quente. De quente os argentinos só têm a beleza.
Os gays de lá são muito bem resolvidos sim. São intensos, mas chegam lento. Você não vai voltar sem ficar com um deles, sem transar com um deles, mas no Rio você pegaria muito mais gente. No Recife nem se fala. A geografia que definiu o mapa gay da América do Sul errou o alvo. Rio, São Paulo, Recife, Salvador. Temos mais destinos gays do que qualquer um na América do Sul.
da Reportagem em Buenos Aires.
Última atualização (Ter, 03 de Agosto de 2010 11:30)
