A natureza foi generosa. Às 17:21 da tarde da sexta-feira, dia 04 de setembro, a lua aparecia entre núvens. Ao mesmo tempo, debaixo de uma árvore gigante decorada com flores em tons vermelho, laranja e amarelo acontecia o casamento do ano. A união dos arquitetos Zezinho e Turíbio Santos.
O cenário foi a paisagem verde e a arquitetura de engenho colonial da Coudelaria Souza Leão no bairro da Várzea. Na estrutura montada do lado de fora, pais, padrinhos e amigos eram envolvidos pelo mesmo clima da cena surpreendente e emocionante.
O pastor da Igreja Critã Inclusiva conduziu a cerimônia, mas foram os depoimentos dos familiares que roubaram a cena. Fizeram chorar vários convidados, inclusive famosos. "Chorei pra me acabar" disse o ator e escritor Miguel Falabella ao final do casamento.
Não se via surpresa. Não se via olhares desconfiados. Todos estavam envolvidos e deslumbrados com o que acontecia. A maioria movida pelo carinho com os noivos e outros pela grandeza daquilo tudo.
Foi tudo como um grande casamento. A decoração impecável. A música ambiente ao vivo ao som de violinos. Os fogos colorindo o céu ao final de cerimônia.
Não era um casamento diferente só porque os noivos tinham o mesmo sexo. Foi o casamento do ano, pela diferença e pela grandeza em cada detalhe.
Em cada espaço a sociedade pernambucana se mostrou. Empresários, políticos, diversos profissionais, famílias inteiras, crianças, avós. A união movida pelo amor de dois homens não fez a menor diferença. Foi celebrada com a de qualquer outro casal.
Uma fila imensa se prolongou para a homenagem aos noivos que receberam pacientemente o carinho da maioria dos 800 convidados. Logo depois, eles surgiram atrás do bolo, fizeram o brinde, trocaram beijos e posaram para fotos ao lado de familiares.
O casal reapareceu depois na frente do palco para anunciar o show da noite. A trilha sonora de Rita Lee embalou a todos principalmente a Zezinho e Turíbio que ficaram posicionados em plataforma elevada em meio aos convidados.
Foi a festa de todos os famosos (Romero Brito, Miguel Falabella, Aracy Balabanian, Rita Lee, Marcela Torres - mulher de Marcelo Antony). Também foi de todos os anônimos poderosos. De todos os fotógrafos. De todos os colunistas sociais.
Foi ainda a festa da beleza, sofisticação e requinte em cada detalhe com decoração verde e branca revelada em rosas e avencas. Foi o evento do desfile de modelitos assinados por estilista famosos.
Nunca na história de Pernambuco se viu um casamento assim. Foi um acontecimento não só para a sociedade, mas entrou para a história. A história dos direitos humanos como disse bem a empresária Maria do Céu, ativista e dona da Metrópole.
Como traduziu bem o Dj antes do show de Rita Lee ao tocar Geroge Michel e seu refrão: "freedom, freedom, freedom" (liberdade, liberdade, liberdade).
da Redação do Toda Forma de Amor